Urbanus

Urbanus | Vila Flores


A cidade, seja ela quando for, existe tão-somente no passo de um tátil olhar contemplá-la. Tornar um espaço urbano sensível, parte de poetizarmos com símbolos próprios a experiência singular de tocá-lo. Pisar, recordar, escapar. Colecionamos cidades dentro de uma apenas. Cadência de cada canto e(s)coando noutra, enquanto todo rastro que a cidade diz, faz a gente compartilhá-la.

 

13641235_1242051592481383_1035185237521196544_o
Pelo chão que resguarda tempos sob pedras, a cidade se alastra através de modernidades sobrepostas. Quatro imagens do Vila Flores, espaço de Porto Alegre que ativa sua história ao projetar-se no atual, (re)criam esse ambiente especialmente único. Na arquitetura de Lutzenberger, diferenças inauguram cidades reais no terreno das cores, formando o palco da cultura que ali brota.

 

Tal qual por toda coisa que narra conjuntos, a cidade esconde, à margem do pensamento, versos com extensões de megalópole. Sonetos com vontades capitais. Formas exigentes de atenção, províncias veladas. Nenhum olho começa a entender uma suposta cidade senão no seu movimento.
O Vila Flores é também uma cidade possível, em que projetos abertos integram-se (com) a comunidade do entorno. Mas se habitamos as experiências ao vivenciá-las, há um verdadeiro nome para a nossa cidade? Como viver com demais sujeitos criadores dessas cidades sem conhecê-los, sem sequer vê-los? Afinal, as cidades não trazem respostas; trazem-nos sim a potência para novas perguntas. Resta saber o que faremos com elas.
Diego Lock Farina | Equipe Humanus
Para conferir o registro de processo criativo clique a AQUI!